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Papa Francisco ganha diploma de Sommelier

 

Na última semana, o papa Francisco ganhou uma designação honorário de sommelier.

O diploma foi concedido durante a visita de Franco Maria Ricci, presidente da Associação Italiana de Somemeliers, e de uma delegação composta por 180 produtores de vinho, sommelier e críticos. “Eu bebo um pouco de vinho italiano e de outros países. Mas só um pouco”, disse o papa ao site Breitbart, que já disse em um evento no último ano que “sem vinho, não há festa. Imagine terminar um banquete só com chá!”.

Ricci teve a ideia de pedir uma reunião com o papa depois das inúmeros declarações de Francisco falando bem da bebida. “É uma honra e encorajamento para nosso trabalho”, disse ele. Na Bíblia, há 224 referências a vinho – talvez por isso, Francisco não seja o único papa a falar sobre a bebida. Seu antecessor, Bento XVI, também falava constantemente sobre vinho e mencionou a bebida em seu primeiro discurso como sumo-pontífice – ele disse “sou um simples e humilde trabalhador na vinícola do Senhor”.

 

Papa Francisco ganha diploma de Sommelier

Papa Francisco ganha diploma de Sommelier

 

Fonte: Estadão

Uva Carménère: o emblema do Chile

 

Parece que foi ontem… Foi no ano 1994 que aconteceu o fato que mudaria a história do vinho do Chile. O ampelógrafo Jean-Michel Boursiquot descobriu que a maior parte da Merlot dos vinhedos chilenos, na verdade, não era tal variedade – e, sim, Carménère (ou Grande Vidure, sinônimo que esta uva tem em seu lugar de origem, Bordeaux), a variedade extinta na França após a terrível praga da filoxera, ao final do século XIX.

E tinha sido um pouco antes, no ano de 1993, que outro ampelógrafo, o também francês Claude Valet, tinha já deixado antecedentes de que existia uma variedade de uva misturada com a Merlot (mas ele, ingenuamente, pensou que se tratava da Cabernet Franc).

Lembro de ter participado de muitas discussões e degustações nos meados dos anos 90 (pouco depois desta importante descoberta de Jean Michel), onde se pretendia chegar a uma conclusão a respeito do futuro desta uva, onde, principalmente, se questionava o real potencial de qualidade que ela tinha e as estratégias que se pretendiam seguir para a introdução destes vinhos no mundo. Além deste, o grande problema nesse momento era identificar e separar no vinhedo, já que a Carménère e a Merlot estavam, literalmente, misturadas

Já são passados quase 20 anos, e a Carménère hoje goza de um rol preponderante no portfolio dos vinhos chilenos, ao ponto de ser considerada a variedade emblemática deste país – e no último cadastro, sua superfície já superava os 10 mil hectares plantados, o que é um número muito significativo considerando que a totalidade de superfície de variedades de uva para a produção de vinhos finos está ao redor dos 120 mil hectares.

A chave do sucesso desta uva que em poucos anos já conquistou o mundo todo está na excelente adaptação que ela encontrou no Chile, e, independentemente do lugar, ela tem conseguido vinhos de altos níveis de qualidade em diferentes regiões.

As condicionantes que esta exige para produzir vinhos de qualidade são:

Uva Carménère o emblema do Chile

Uva Carménère o emblema do Chile

O clima:

A Carménère é uma casta que tem um ciclo de maturação lento, pois precisa de bastante (mas não em excesso) sol e de temperaturas mais elevadas, razão pela qual nunca conseguiu se adaptar, por exemplo, ao vale de Casablanca ou outras regiões de climas frios, e os que tentaram terminaram por desistir e arrancar o enxerto das plantações por outras variedades mais apropriadas para esse tipo de clima.

Baixo rendimento por planta:

Outro elemento importante, e que todo enólogo que trabalha com esta uva tem muito claro, é a incapacidade desta variedade para produzir bons níveis de qualidade quando é exigida a produzir altos níveis de rendimento por Hectare.

Neste momento a Carménère mostra seu lado ruim, e, na verdade, não é só a Carménère, mas também acontece algo parecido com muitas outras variedades da família das Cabernet, seja a Cabernet Sauvignon ou Cabernet Franc.

Quando estas variedades produzem muitos quilos de uvas por hectare, se desenvolve um aroma herbáceo característico, frequentemente descrito como pimentão verde (aromas piracínicos), que é um aroma claramente desagradável e que alguns Carménère’s (principalmente os que estão na base da pirâmide qualitativa) têm.

E o problema é ainda maior, já que na evolução na garrafa estes aromas de pimentão verde vão cada vez mais se acentuando e transformando, terminando em aromas confusos e cada vez mais desagradáveis.

O potencial qualitativo da uva:

Deste outro ponto de vista, onde estão os Carménère’s que foram perfeitamente adaptados às condições climáticas do lugar, onde o rendimento de quilos de uva por hectare é moderado, de acordo com o equilíbrio da planta, o resultado é bem diferente.

Os Carménère’s quando são de boa qualidade podem deixar apaixonados até os mais exigentes. Esta uva, além de ter uma cor maravilhosamente vermelha escura, tipo carmim (alguns falam que este é o motivo do nome da uva Carménère… da cor Carmim), seus aromas são bastante atraentes.

E quando se trata de Carménère perfeita e corretamente madura, além das frutas negras, amoras e cerejas que fazem parte do portfolio aromático, também aparecem formando parte dos aromas primários (aromas provenientes de forma natural da uva) notas de especiarias, chocolate, que acrescentam à qualidade e diversidade olfativa, e aumentam o seu caráter sedutor.

Se compararmos com a maioria das outras uvas tintas, a grande diferença e, talvez a maior virtude da Carménère, está na sua incrível textura que os vinhos provenientes dela oferecem na boca. Os Carménère’s são macios como seda, e esta uva geralmente se associa ao lado feminino, por sua delicadeza e suavidade.

Entrevista com o herdeiro do Champagne Taittinger

 

Clovis Taittinger, filho do atual presidente do grupo do Champagne Taittinger esteve no Brasil e concedeu esta entrevista exclusiva.

Fundada em 1734 em Reims, a Champagne Taittinger é uma grande empresa, que ainda se mantém familiar. Como outras casas de Champagne, a Taittinger diversificou seu negócio em segmentos de luxo, como joias, perfumes, cristais, mas, principalmente, hotéis. Chegou a ser comprada em 2005 por um grupo hoteleiro americano (Starwood), mas em 2006 o controle foi restabelecido à família.

Os champagnes da casa primam pela leveza e elegância e seu top Comtes de Champagne é uma dos melhores entre todos os champagnes na categoria blanc de blancs (feito 100% com Chardonnay). Clovis Taittinger, quarta geração da família e filho do atual presidente do grupo, Pierre-Emmanuel Taittinger, esteve no Brasil e concedeu esta entrevista exclusiva.

Entrevista com Clovis Taittinger o herdeiro da Champagne mais famosa do mundo

Entrevista com Clovis Taittinger o herdeiro da Champagne mais famosa do mundo

Veja Rio: Quais seus planos agora em relação ao mercado brasileiro, qual a sua visão?

Clovis Taittinger:

Tenho muitas esperanças aqui. A economia cresce, os brasileiros estão cada vez mais interessados em Champagne e achamos que o Taittinger se adapta bem ao gosto daqui. O grande problema são os impostos. Achamos  que o mercado brasileiro evolui, mas bem mais lentamente do que poderia, devido aos impostos. Mas, como todo champonois, sou otimista.

Veja Rio:

Você acabou de mencionar o samba e que sua família se considera um pouco brasileira. Você sabe sambar? E depois de algumas taças de Taittinger?

Clovis Taittinger:

Sou péssimo dançarino. Depois de algumas taças de Taittinger, talvez, mas sem nenhum charme.

Veja Rio:

Existe no momento alguma tendência na indústria do Champagne?

Clovis Taittinger:

A situação atual é de um mercado muito competitivo e estável. Como tendência, vejo a consolidação dos principais nomes, marcas famosas e os melhores vinhos das grandes empresas. Este é um momento difícil para as pequenas e médias empresas.

Veja Rio:

Agora com um novo importador, a Interfood, vocês têm alguma estratégia específica para o mercado brasileiro?

Clovis Taittinger:

Nossa ambição é agradar e conquistar cada vez mais brasileiros, mas não temos nenhuma estratégia “sistêmica” de abordagem para o Brasil. Champagne pede uma abordagem mais pessoal, de “um para um”. Esta não é uma bebida de uma abordagem de mercado de massa.

Entrevista com Clovis Taittinger o herdeiro da Champagne mais famosa do mundo

Entrevista com Clovis Taittinger o herdeiro da Champagne mais famosa do mundo

Veja Rio: Você concorda que o Champagne é o melhor negócio dentro do negócio do vinho?

Clovis Taittinger:

Não é o pior, com certeza, mas talvez também não seja o melhor. O mercado do Champagne é muito competitivo, muito exigente, e nele você está sempre sendo observado e copiado. Por outro lado, como o Champagne representa prazer, felicidade e amor, eu me considero um entregador de felicidade e amor. Esta é minha missão. E, sim, este pode ser o mais sexy, feliz e borbulhante trabalho de todo o mundo!

Veja Rio:

Uma observação e uma curiosidade para os leitores. Estamos aqui conversando e noto que você pronuncia Taittinger como se fosse americano (taitinguer), em vez de usar a pronuncia francesa (tétanger). Força do hábito?

Clovis Taittinger:

Com certeza! Eu mesmo fico confuso. É quase uma dupla personalidade. Mas, no fundo, vale o que está dentro da garrafa.

Veja Rio:

Acabamos de provar seus champagnes, todos deliciosos, cheios de estilo, minerais e elegantes. Seria muito bom para o consumidor brasileiro se você pudesse comparar seus vinhos a personagens conhecidas por aqui.

Clovis Taittinger:

O Champagne Taittinger Brut Reserve:

Poderia ser um Fred Astaire – um champagne dançante, com energia duradoura, macio, leve e sutil na “pista de dança”.

O Champagne Taittinger Prestige Rosé:

Seria a Audrey Hepburn – encantadora, delicada e elegante.

O Champagne Taittinger Comtes de Champagne:

Nossa “obra de arte” seria Coco Chanel – com design perfeito, pureza, elegância, um clássico.

O Champagne Taittinger Nocturne:

Seria a Paris Hilton – doce (com 17 gramas de açúcar) e sexy – relaxe e divirta- se! Para o fim de um dia estressante de trabalho recomendo uma descompromissada taça de Noturno, em uma boa companhia!

Veja Rio:

Boa sugestão, Champagne contra o estresse. Agora, gostaria de lhe pedir um presente. Conte-me algo que você nunca contou em nenhuma entrevista.

Clovis Taittinger:

Hummm…Vou contar um segredo: eu não sei sambar e adoraria que alguma garota brasileira me ensinasse, mas sou tímido demais para pedir.

 

Fonte: Veja Rio

 

A uva Pinot Noir: Os vinhos mais elegantes do mundo

Os vinhos da uva Pinot Noir são fascinantes.  Mágicos e extremadamente delicados

A Pinot Noir é considerada a uva mais difícil de cultivar e de difícil adaptação, mas também é considerada como a uva que produz os vinhos mais elegantes do mundo, sem deixar de mencionar que desta uva provém os vinhos com borbulhas mais interessantes do mundo todo, os Champagnes.

Esta uva tem uma grande diferenciação com as outras tintas nobres: ela não pode ser misturada com outras uvas (exceto nos Champagnes) tintas, já que, como a sua maior virtude é sua sutileza, fazendo parte de um blend ficam ocultadas atrás da opulência e potência das outras uvas tintas.

Ela é considerada a uva “branca” dentro das tintas, e, deste ponto de vista, ela sempre está no extremo da macies e é o contraponto da uva Cabernet Sauvignon. Ao servi-la, ela se expressa melhor em baixas temperaturas; e quando se trata de Pinot Noir frutados, varietais (sem madeira) e simples, muitas vezes devem ser servidas à mesma temperatura que alguns vinhos brancos, ou seja, em torno dos 12°C – o que comparada com a Cabernet Sauvignon, que é servida na faixa dos 17°C ou 18°C, é uma diferença muito marcante.

A uva Pinot Noir Os vinhos mais elegantes do mundo

A uva Pinot Noir Os vinhos mais elegantes do mundo

O clima da uva Pinot Noir

Em termos climáticos, a Pinot Noir necessita, obrigatoriamente, de climas frios e secos, já que sua pele é muito fina e é altamente sensível às enfermidades provocadas pela umidade (como, por exemplo, a Botrytis Cinerea), razão pela qual tem sido muito difícil sua adaptação às outras regiões fora de seu berço, que é a maravilhosa Bourgogne.

Quando plantada em climas calorosos, seus vinhos são muito desequilibrados e falhos de acidez e seus aromas e sabores são extremamente maduros, lembrando a marmelada, o que, no caso desta uva, é considerado um fator negativo.

Uma característica importante da uva Pinot Noir é que ela tem uma mínima concentração de antocianinas (pigmento/cor) nas células da sua pele, portanto seus vinhos sempre têm um aspecto visual claro e algumas vezes quase rosado, o que por outro lado ajuda na sua característica e fama de produzir os vinhos mais sedosos e suaves do mundo – isto se deve aos seus taninos de textura muito aveludada, muito delicados.

Vinhos da bourgogne

Vinhos da bourgogne

A uva Pinot Noir fora da Bourgogne

Fora da Bourgogne, a Pinot Noir tem conseguido excelentes resultados nos Estados Unidos, onde Napa e Sonoma (em Califórnia) e Oregon são as regiões que mais se destacam. Em Nova Zelândia podem também se encontrar vinhos elaborados com uva Pinot Noir de altíssimo nível, principalmente os que provêm de Malborough, região vitivinícola localizada na parte norte da ilha do sul.

No caso da América do Sul, o Chile é o país que tem demostrado o maior avanço qualitativo com esta uva, e que tem ganhado grande destaque na última década. Isto principalmente devido à procura de climas mais frescos com influência marítima, o que favorece ao crescimento e à qualidade dos vinhos desta uva. Casablanca, localizada na metade do caminho entre Santiago e Valparaiso, é uma região já consagrada e com mais de uma dezena de produtores que têm tido muito sucesso com esta uva.

Já algo mais perto do oceano pacífico, na região de San António, se encontra alguns dos Pinot Noir de maior qualidade deste país, o que se diferencia por seu caráter extremamente fresco e mineral. A mais recente região localizada a 400 quilômetros ao norte de Santiago, o Vale de Limarí, está também se destacando como um lugar muito interessante para a produção de grandes Pinot Noir.

A Argentina mesmo já tem se destacado com vinhos elaborados com esta uva e, embora que Mendoza seja considerada sua região emblemática já consolidada no mundo e amplamente conhecida pela Malbec, não tenha um clima apropriado para a produção desta uva (que gosta do frio). Os resultados na região do Rio Negro, na Patagônia Argentina, também são muito alentadores.

A uva Pinot Noir no Brasil

No Brasil, os produtores e vinícolas locais também têm manifestado certo interesse por esta variedade, e embora que todos concordem, nas dificuldades e alto custo de investimento em investigações, os resultados obtidos até agora no Rio Grande do Sul e na Serra Catarinense sugerem um futuro promissor.

 

Veja Também:

 

 

Todo sobre a Sauvignon Blanc. Máteria do enólogo chileno Felipe García para Winechef

 

O enólogo chileno Felipe Garcia nos fala sobre a uva Sauvignon Blanc e o papel do solo e do clone

Confira a primeira parte da materia no link:  Uva Sauvignon Blanc

O solo e a uva Sauvignon Blanc 

A segunda condição é o solo. Vimos como cada tipo de solo tem efeitos particulares sobre cada variedade e, baseado nessa observação, eu poderia afirmar que o Sauvignon Blanc não é uma variedade que suporta bem o estresse, é muito mais “Hippie”. Sendo assim, cresce muito melhor em solos com uma boa quantidade de argila, onde fica mais produtivo e a qualidade e concentração da uva ficam ótimas. Para mim, os dois melhores solos em Casablanca são os de fundo lacustre, onde a argila é escura e pesada, e o solo granítico, vermelho com boa quantidade de argila, mas com melhor oxigenação.

O primeiro dá uma característica mais mineral e o segundo proporciona um vinho de estilo mais frutado. Em ambos é possível obter vinhos com bastante sabor e excelente acidez natural.

Os clones de uva Sauvignon Blanc  

O terceiro ponto, e talvez um dos mais importantes, é a escolha de material clonal, saber qual é a origem do material genético de nossas plantas.

Aqui é onde se começa a “moldar” o estilo do Sauvignon Blanc que se quer fazer. No Chile os clones mais difundidos são o clone 1, que é o mais mineral de todos, e o clone 5, que é o mais cítrico (eu gosto mais dos clones 107, mais verdes e um dos que apresenta mais sabor, e o clone 242, uma explosão de frutuosidade).

Existe muita variedade de clones e a escolha depende muito do gosto do enólogo que vai elaborar o vinho. É daqui que parte a definição do estilo do vinho que vamos fazer. Os clones se expressam de maneira diferente de acordo com o clima do local onde estão. Por exemplo: um clone 1, que tem a maturação tardia, pode se desenvolver muito melhor em um clima quente do que um clone 242, que tem a maturação adiantada.

Isso é, já que entre processos mais longos de maturação da fruta é maior, melhor será a qualidade e quantidade de compostos aromáticos que a planta poderá gerar. Já temos o clima, o solo e a planta. Se todo o cuidado com a plantação e o manejo da fruta forem tomados, teremos a matéria-prima perfeita para trabalhar na adega e é aqui que se inicia o segundo tempo desta partida…

Marina Sauvignon Blanc

Marina Sauvignon Blanc

 

 

O papel da uva na qualidade do vinho

Produzir uvas de qualidade é o principal objetivo de uma vinícola, e por isso todos os esforços estão concentrados nessa finalidade.

Ao contrário das outras frutas, com as uvas para produção de vinhos se objetiva frutos com tamanho menor, casca mais grossa, e com a menor quantidade de agua possível. Isso porque todos os elementos que são determinantes para qualidade dos vinhos estão na pele da uva, tais como as antocianas, responsáveis pela cor, e os taninos, responsáveis pela sua estrutura.

Para elaboração de vinhos de alta qualidade, as vinícolas devem primeiramente identificar quais são os melhores setores (terroir’s) dentro do seus vinhedos, trabalhando de forma diferenciada cada espaço de acordo com as caraterísticas do solo e uvas que serão cultivadas.

Para se produzir uvas de alta qualidade, será necessário plantar em solos pobres e em regiões com uma relação de chuva apropriada à variedade escolhida. Com isso, serão colhidos cachos perfeitos, pequenos, e com grãos de pele grossa, que permitirão elaborar vinhos de alta qualidade. O importante é que a parreira esteja em equilíbrio com o ecossistema, resultando em frutos de maior qualidade.

 

O papel da uva na qualidade do vinho

O papel da uva na qualidade do vinho

 

Outro elemento determinante para a produção de vinhos de qualidade é a idade das parreiras. A idade das parreiras sempre está relacionada à qualidade, ou seja, quantos mais velhas melhores serão os vinhos. Isso porque as parreiras mais velhas tem raízes mais profundas, que são as responsáveis por nutrir os cachos com os nutrientes que estão no subsolo. Parreiras mais velhas também se diferenciam por produzir menos cachos e grãos menos diluídos, que darão origem a vinhos profundos e complexos.

 

Os países mais importantes e suas uvas emblemáticas

Como a qualidade do vinho depende diretamente da qualidade da uva, cada variedade precisa de condições climáticas específicas.

Se considerarmos que cada país e cada região possui suas próprias caraterísticas climáticas, isso vai explicar que, cada vez mais, seja frequente ter a especialização de uma determinada região (ou país) em um determinado tipo de uva.

Para que possa aprender qual é a uva emblemática de cada uma das principais regiões produtoras, veja essa lista abaixo:

 

Países do Novo mundo:

Chile: Carménère, Cabernet Sauvignon e Sauvignon Blanc

Argentina: Malbec

Austrália: Shiraz

Nova Zelândia: Sauvignon Blanc e Pinot Noir

Estados Unidos: Zinfandel e Pinot Noir

Sul África: Pinotage

Países do Velho mundo:

 

Os países mais importantes e suas uvas emblemáticas

Os países mais importantes e suas uvas emblemáticas

 

França:

Bordeaux Pomerol: Merlot

Bordeaux Paulliac: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot

Bordeaux Saint-Émilion: Cabernet Franc

Bourgogne: Pinot Noir e Chardonnay

Champagne: Pinot Noir e Chardonnay

Cahors: Côt (Sinônimo de Malbec)

Vale do Rhône: Syrah

 

Itália:

Toscana: Sangiovese

Piemonte: Barbera

Abruzzo: Montepulciano

Campania: Aglianico

Sardegna: Garnacha Tinta (Cannonou)

Sicília: Nero D´Avola

Veneto: Corvina Veronese

 

Portugal:

Vinho Verde: Alvarinho e Loureiro

Douro: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca.

Dão: Touriga Nacional e Alfocheiro.

Bairrada: Baga

Alentejo: Trincadeira, Aragonez, Castelão, Alicante Bouschet e Touriga Nacional.

 

Espanha: Tempranillo

Alemanha: Riesling, Gewrtztraminer

 

Os Taninos das Barricas de carvalho

 

A madeira do carvalho também é rica em taninos

Barricas de carvalho agem nos taninos de duas formas. A primeira maneira (que será pormenorizada mais adiante neste artigo), é a microoxigenação. Os poros do carvalho permitem uma leve penetração de ar, que ajuda na polimerização dos taninos e na formação de polímeros pigmentados (reação entre taninos e antocianinas).

A segunda forma é aportando mais taninos ao vinho. A madeira do carvalho também é rica em taninos (tão rica que as próprias tábuas de carvalho devem passar por um envelhecimento, em torno de três anos, para que percam um pouco dos taninos, bem como a umidade). Seus taninos são de natureza diferente dos da uva. Os do carvalho, chamados de elagitaninos ou taninos hidrolisáveis, também são particularmente solúveis em álcool e água. Uma vez que o vinho entra em contato com a parede da barrica, principalmente as de primeiro uso, ocorre a extração dos elagitaninos que passam a integrar o fermentado, dando um maior suporte estrutural.

Maceração pós-fermentativa

Ao contrário da pré-fermentativa, o que se busca neste caso é justamente uma maior extração de taninos. Taninos são facilmente solubilizados em meios alcoólicos. Uma vez encerrada a fermentação, prolongase o tempo que o mosto fermentado permanece em contato com as cascas para uma maior extração de taninos e antocianos.

Os Taninos das Barricas de carvalho

Os Taninos das Barricas de carvalho

Micro-oxigenação

Consiste na técnica de aplicar um pequeno volume de gás oxigênio ao vinho já fermentado, numa proporção média de 1 ml de oxigênio por litro ao mês. Seria uma forma de emular a leve aeração que as barricas de carvalho permitem, tornando os taninos mais macios e o vinho mais estável. Normalmente, esta técnica é utilizada para fermentados ricos em taninos e antocianinas, para que se tornem mais estáveis e mais palatáveis ao degustador que prová-los ainda jovens.

Filtração e clarificação

Há muitos tipos de filtros utilizados na vinificação, no entanto, os objetivos são coincidentes: retirar micropartículas que podem comprometer a qualidade ou a apresentação do vinho.

Por exemplo, em vinhos engarrafados com açúcares residuais, a filtração é particularmente utilizada para retenção de leveduras e bactérias, que poderiam continuar agindo no vinho mesmo após o engarrafamento. Quanto aos taninos, caso a filtração seja muito intensa e rigorosa, parte poderá ficar retida nas membranas dos filtros, já que se tratam de cadeias moleculares longas. Além disso, a intensa agitação contida neste processo pode acelerar reações químicas envolvendo os taninos.

A clarificação é o processo que visa a separação de partículas sólidas e visíveis no vinho. Ela pode se dar por meios físicos, como a simples decantação (estamos falando da produção e não a decantação que se pode realizar no momento da degustação), ou pela ação de agentes externos. Estes agentes de afinamento normalmente são ricos em proteína, como o caso da clara de ovo, tradicional fator de afinamento. Considerando a principal característica dos taninos, de unir e precipitar proteínas, este processo também é utilizado para eliminá-los dos vinhos.

 

Continua.

Vocabulário do vinho

 

Você sabe o que significa “vinho cansado”?

Conheça algumas importantes palavras usadas no vocabulário do vinho.

Cana-de-açúcar: Planta que proporciona o mais apreciado dos açúcares, quando se trata de preparar os licores de expedição dos grandes vinhos espumosos. Por vezes, emprega-se para chaptalizar os vinhos sem álcool nas colheitas fracas dos países de clima frio (embora, neste último caso, se costume recorrer à beterraba mais barata).

Cândi: Açúcar purificada e cristalizada que se utiliza em zonas frias e de más colheitas para chaptalizar os mostos insuficientemente açucarados e obter um ou dois graus mais de álcool.

Canela: Aroma a especiarias de certos vinhos muito ricos, sobretudo brancos estagiados em madeira ou certos tintos generosos e gordos. A sua origem natural corresponde ao aldeído cinâmico formado durante o estágio.

Cannaiolo: Uma das variedades tintas cultivadas na Toscana (Itália) que entram na composição do Chianti.

Cannonadu ou Cannonao: Na Sardenha, nome local da variedade tinta Grenache (também chamada Cannono).

Cañocazo: Variedade branca, muito doce, que foi muito cultivada no Jerez para misturar com Pedro Ximenez e Palomino. Hoje, não se cultiva na Andaluzia, porque é propensa ao “corrimiento” (doença das videiras – má fecundação), mas encontra-se na Austrália.

Cansado: Diz-se de um vinho que surge na garrafa sem vigor, sem aromas, e sabores perdidos por excesso de estágio sem engarrafamento.

Canteiro: Processo natural de envelhecimento do vinho Madeira. O canteiro são as traves existentes na cave onde possam as barricas de Madeira.

Capitoso: Vinho com elevado grau alcoólico.

Caprílico: Odor dado pelos ésteres de ácidos gordos (que dão, principalmente, aromas pesados).

Conheça o vocabulário do vinho

Conheça o vocabulário do vinho

Cápsula: Peça de plástico ou de metais autorizados, em forma de capuz, que serve para proteger a cortiça e o gargalo, vestindo a garrafa. Ao proceder-se ao desenrolhamento deve cortar-se a cápsula por debaixo do aro do gargalo, para que não entre em contato com o vinho.

Cápsula-coroa: Rolha metálica que se utiliza para fechar provisoriamente as garrafas de vinhos espumosos que fermentam na garrafa, durante a formação de gás carbónico.

Carácter: Conjunto de qualidades que dão personalidade própria ao vinho e permitem distingui-lo de outros.

Caramelizado: Vinho com sabor e aroma a caramelo.

Carbonated wine: Vinho espumoso de qualidade inferior, gaseificado industrialmente.

Carbonato de cálcio: Sal neutro do ácido carbónico que, em zonas frias ou em colheitas ácidas, se utiliza para desacidificar mostos e vinhos.

Carbónico, gás ou dióxido de carbono: Substância que diluída no vinho produz um ligeiro pico na língua e dá, especialmente aos vinhos novos, frescura, nervo e vivacidade.

Carignan: Variedade tinta do vinhedo mediterrânico que dá vinhos aveludados, com ligeiro tanino, ricos em álcool natural. Na Europa não é uma uva especialmente apreciada, mas costuma utilizar-se como complemento da Grenache. Na Rioja, chama-se Mazuelo. Na última década tem conseguido excepcionais vinhos no extremo sul do Chile.

Carménère: Variedade de cepa tinta, muito utilizada em Bordéus antes da filoxera. É uma cepa de qualidade hoje emblemática no Chile, que dá vinhos amplos e coloridos, com menos taninos que os de Cabernet.

 

O que fazer com o restante da ceia de natal e ano novo?

 

Veja estas interessantes dicas de que fazer com o restante da ceia de natal e ano novo.

O natal e ano novo é um momento de festa, alegria, confraternização e de muita comida… Mas aí fica a dúvida do que fazer com tanta comida que ficou da ceia das festas de fim de ano.

Bom, de fato nem sempre é muito simples reaproveitar os quitutes e pratos que foram preparados para a grandes festas, e alguns cuidados são fundamentais para não sermos surpreendidos com uma contaminação alimentar.

Primeiro precisamos observar o tempo de exposição dos alimentos em temperatura ambiente. No caso de proteínas, como carnes e peixes assados, se esse tempo de exposição for superior a 06 horas com embalagem aberta o alimento deverá ser descartado.

É necessário armazenar e refrigerar de imediato o alimento logo após o término das comemorações.

Na montagem e decoração da ceia as frutas são indispensáveis e devem ser consumidas durante a festa, mas normalmente ficam para o dia seguinte. Aí a criatividade entra em cena para deixarmos perdê-las, elaborando saladas de frutas, smoothies, sucos, vitaminas… E aproveitar pra compensar a alta ingestão de calorias, afinal de contas, o réveillon está chegando!

As frutas secas como castanha de caju, nozes, amêndoas e frutas cristalizadas podem ser utilizadas no preparo de uma salada adicionando folhas verdes e queijos.

 

O que fazer com o restante da ceia de natal e ano novo?

O que fazer com o restante da ceia de natal e ano novo?

As carnes como Peru, Chester, Suínos e Peixes Assados podem ser utilizados no preparo de molhos para risotos e massas curtas e longas, inclusive lasanhas – uma boa dica é acrescentá-las ao molho bechamel, fica uma delícia!

As carnes ainda podem ser utilizadas no preparo de sanduíches super elaborados com os diversos queijos que sobraram da ceia. Com certeza o filme no fim de tarde vai ficar muito mais saboroso.

Já os Panetones podem ser grelhados e servidos como acompanhamento de sorvetes e ainda podem ser transformados em deliciosos chessecakes ou rabanadas.

Espero que com essas dicas você surpreenda a família e amigos evitando o desperdício e economizando nesse fim de ano.

 

Feliz 2015!!!

 

Por Alessandro Eller